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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ereira - Pampilhosa da Serra


Ereira - Pampilhosa da Serra


"Do vale à montanha, 
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
caminhais sozinhos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.

24-10-1932"

Fernando Pessoa, Obra Poética e em Prosa, Vol.I  Poesia, 1986, Lello & Irmão - Editores, Porto

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Manteigas - Serra da Estrela - Rota do Poço do Inferno - II







"Para Além da Curva da Estrada"




Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.
Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos ,Heterónimo de Fernando Pessoa

terça-feira, 29 de maio de 2012

Rio Côa - Sabugal - III





"A Minha Vida é um Barco Abandonado"

A minha vida é um barco abandonado 
 Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado?

Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.

Morto corpo da acção sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.

Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.


                                                                                                           Fernando Pessoa,Cancioneiro  
   Fonte:http://www.citador.com

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Rosa Negra - Covilhã


Rosa Negra - Covilhã

"Caminhos"

Para quê, caminhos do mundo,
Me atraís? — Se eu sei bem já
Que voltarei donde parto,
Por qualquer lado que vá.

Pra quê? — Se a Terra é redonda;
E, sempre, tem de cumprir-se
A sina daquela onda
Que parece vai sumir-se,

Mas que volta, bem mais débil,
Ao meio do lago, onde
A mãe, gota d'água flébil,
Há muito tempo se esconde.

Pra quê? — Se a folha viçosa
Na Primavera, feliz,
Amanhã será, gostosa,
Alimento da raiz.

Pra quê, caminhos do mundo?
Pra quê, andanças sem Fim?
Se todo o sonho profundo
Deste Mundo e do Outro-Mundo,
Não 'stá neles, mas em mim.

Francisco Bugalho, Paisagem
Fonte: Http://www.citador.com


domingo, 27 de maio de 2012

Ria - Costa Nova (Aveiro)





Ria - Costa Nova (Aveiro)


 "Pescador"

Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela ...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!

 Almeida Garrett, Folhas Caídas

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Farol da Barra, Aveiro





Farol da Barra - Aveiro


"Faróis"

Faróis distantes,
De luz subitamente tão acesa,
De noite e ausência tão rapidamente volvida,
Na noite, no convés, que conseqüências aflitas!
Mágoa última dos despedidos,
Ficção de pensar...

Faróis distantes...
Incerteza da vida...
Voltou crescendo a luz acesa avançadamente,
No acaso do olhar perdido...

Faróis distantes...
A vida de nada serve...
Pensar na vida de nada serve...
Pensar de pensar na vida de nada serve...

Vamos para longe e a luz que vem grande vem menos grande.
Faróis distantes ...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Fonte: http://www.citador.com


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Parabéns, Bob Dylan!








(Imagem retirada da Net)
Bob Dylan (24 de Maio de 1941)
Forever Young


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Manteigas, Serra da Estrela, Guarda



Manteigas

          " De regresso, a camioneta entrou em Manteigas ao fim do dia. No meio do vale, à beira do Zêzere, a vila, com as alvas torres das duas igrejas e o punhado de casas em derredor, parecia uma contrução infantil, um burgo de Liliput, no fundo de grande concha verde. Da terra linda dir-se-ia terem saído ciclópicas figuras, pétreos vultos que haviam ficado à esculca, protegendo e vigiando o povoado, de sobre as altíssimas lombas que corriam das Penhas Douradas até aos Cântaros."


Ferreira de Castro, A Lã e a Neve, 12ª Edição, Guimarães e Cª

terça-feira, 22 de maio de 2012

Rio Côa - Sabugal - II


Rio Côa -  Sabugal


           " Se às vezes digo que as flores sorriem
             E se eu disser que os rios cantam,
             Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
             E cantos no correr dos rios...
             É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
             A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.


             Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
             À sua estupidez de sentidos...
             Não concordo comigo mas absolvo-me,
             Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
             Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
             Por ela não ser linguagem nenhuma."

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) , Obra Poética e em Prosa, Vol. I - Poesia,
 1986,  Lello & Irmão- Editores, Porto

domingo, 20 de maio de 2012

Praia da Barra - II



"Meio - dia"

Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém.
O sol no alto, fundo, enorme, aberto,
Tornou o céu de todo o deus deserto.
A luz cai implacável como um castigo.
Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso solitário e antigo,
Parece bater palmas.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética - I, Lisboa, Caminho


sábado, 12 de maio de 2012

13 de Maio, Portugal



        A Igreja comemora os 95 anos da primeira aparição da Virgem Maria aos três pastorinhos em Fátima, Portugal, ocorrida no dia 13 de Maio de 1917.


Santuário de Fátima
 (Local da Aparição da Virgem Maria aos três pastorinhos)

         " O Santuário de Fátima é um lugar privilegiado, dotado de um valor especial: contém em si uma mensagem importante para a época que estamos a viver." (...)

         (...) O facto de Nossa Senhora ter escolhido este país para manifestar a Sua protecção materna pela humanidade é uma garantia de que Portugal manterá o que de mais precioso tem: a fé. A fé, luz suprema da humanidade. (...)

Castelo Mendo
(Homenagem à Virgem Maria e aos três pastorinhos)

        (...) O apelo de Maria não é para uma vez só. Ele continua aberto para as gerações que se renovam, para ser correspondido de acordo com os <<sinais dos tempos>> sempre novos. (...) Há que retomá-lo sempre de novo."
 João Paulo II

Fonte: Aido, Paulo, João Paulo II - O Peregrino de Fátima, 6º Edição, Abril 2011, Prime Books





Igreja Matriz - Alpedrinha


Igreja Matriz de Alpedrinha

         Data provavelmente do Século XII, inserindo-se nas tipologias românicas. Na segunda metade do século XVI sofreu remodelações: a Cruz da Ordem de Cristo que ostentava na frontaria foi arrancada e desapareceu.  Apresenta  fachada e portal sóbrios, rodeados de duas torres sineiras.
       Tem sete altares: Altar ou Capela -mor, altar de Nossa Senhora do Rosário, altar do Senhor das Almas, altar de Santa Ana, altar de S. João Baptista, altar de Nossa Senhora dos Altos Céus e altar do Santíssimo.
        Do lado direito da Capela -mor há um magnífico órgão de tubos do século XVIII.
        Nesta Igreja pode-se também encontrar um Museu de Arte Sacra.
        

terça-feira, 8 de maio de 2012

Tejo - Lisboa


 Tejo - Lisboa



"Abismo"

Olho o Tejo e de tal arte
Que me esquece estar olhando,
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando -
O que é ser-se rio, e correr?
O que é está-lo eu a ver?

Sinto de repente pouco,
Vácuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente é oco -
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo - eu e o mundo em redor -
Fica mais que exterior

Perde tudo o ser, ficar
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, ideia, alma de nome
A mim. à terra e aos céus...
E súbito encontro Deus.

Fernando Pessoa, Obras de Fernando Pessoa, Vol I, 1986, Lelo &Irmão - Editores Porto

domingo, 6 de maio de 2012

Dia da Mãe




No colo de minha Mãe - Inhaminga (Moçambique - 1962)

" Cada menino nascido faz nascer uma mãe"
Mia Couto, Cronicando

   História do Dia da Mãe 


         "As mais antigas celebrações do Dia da Mãe remontam às comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos deuses. Em Roma, as festas comemorativas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a Mãe dos deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.
          Durante o século XVII, a Inglaterra celebrava no 4º Domingo de Quaresma (40 dias antes da Páscoa) um dia chamado “Domingo da Mãe”, que pretendia homenagear todas as mães inglesas. Neste período, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os patrões. No Domingo da Mãe, os servos tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.
          À medida que o Cristianismo se espalhou pela Europa passou a homenagear-se a “Igreja Mãe” – a força espiritual que lhes dava vida e os protegia do mal. Ao longo dos tempos a festa da Igreja foi-se confundindo com a celebração do Domingo da Mãe. As pessoas começaram a homenagear tanto as suas mães como a Igreja.
          Nos Estados Unidos, a comemoração de um dia dedicado às mães foi sugerida pela primeira vez em 1872 por Julia Ward Howe e algumas apoiantes, que se uniram contra a crueldade da guerra e lutavam, principalmente, por um dia dedicado à paz.
          A maioria das fontes é unânime acerca da ideia da criação de um Dia da Mãe. A ideia partiu de Anna Jarvis, que em 1904, quando a sua mãe morreu, chamou a atenção na igreja de Grafton para um dia especialmente dedicado a todas as mães. Três anos depois, a 10 de Maio de 1907, foi celebrado o primeiro Dia da Mãe, na igreja de Grafton, reunindo praticamente família e amigos. Nessa ocasião, a sra. Jarvis enviou para a igreja 500 cravos brancos, que deviam ser usados por todos, e que simbolizavam as virtudes da maternidade. Ao longo dos anos enviou mais de 10.000 cravos para a igreja de Grafton – encarnados para as mães ainda vivas e brancos para as já desaparecidas – e que são hoje considerados mundialmente com símbolos de pureza, força e resistência das mães.
          Segundo Anna Jarvis seria objectivo deste dia tomarmos novas medidas para um pensamento mais activo sobre as nossas mães. Através de palavras, presentes, actos de afecto e de todas as maneiras possíveis deveríamos proporcionar-lhe prazer e trazer felicidade ao seu coração todos os dias, mantendo sempre na lembrança o Dia da Mãe.
          Face à aceitação geral, a sra. Jarvis e os seus apoiantes começaram a escrever a pessoas influentes, como ministros, homens de negócios e políticos com o intuito de estabelecer um Dia da Mãe a nível nacional, o que daria às mães o justo estatuto de suporte da família e da nação.
          A campanha foi de tal forma bem sucedida que em 1911 era celebrado em praticamente todos os estados. Em 1914, o Presidente Woodrow Wilson declarou oficialmente e a nível nacional o 2º Domingo de Maio como o Dia da Mãe.
          Hoje em dia, muitos de nós celebram o Dia da Mãe com pouco conhecimento de como tudo começou. No entanto, podemos identificar-nos com o respeito, o amor e a honra demonstrados por Anna Jarvis há 96 anos atrás.
           Apesar de ter passado quase um século, o amor que foi oficialmente reconhecido em 1907 é o mesmo amor que é celebrado hoje e, à nossa maneira, podemos fazer deste um dia muito especial.
           E é o que fazem praticamente todos os países, apesar de cada um escolher diferentes datas ao longo do ano para homenagear aquela que nos põe no mundo.
           Em Portugal, até há alguns anos atrás, o Dia da Mãe era comemorado a 8 de Dezembro, mas actualmente o Dia da Mãe é no 1º Domingo de Maio, em homenagem a Maria, Mãe de Cristo."
Fonte: Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
(Texto corrigido contra o AO)

sábado, 5 de maio de 2012