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sábado, 30 de junho de 2012

Igreja Matriz de Vilar de Amargo

Igreja Matriz de Vilar de Amargo
           De estilo românico e traços góticos foi construída por várias etapas, ao longo dos séculos.
           Existia desde o séc. XIII, tendo-se procedido a sucessivos restauros. O piso está abaixo do nível do solo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

S. Pedro - 29 de Junho (Almofala - Figueira de Castelo Rodrigo)


( Igreja Matriz de Almofala) 



Largo da Igreja Matriz - Almofala



Igreja Matriz de Almofala

terça-feira, 26 de junho de 2012

Castelo de Pinhel


Castelo de Pinhel


"O Castelo de Pinhel, foi edificado no início da nacionalidade portuguesa, mas há dúvidas, quanto a ter sido iniciado no reinado de D. Afonso Henriques, ou no do seu sucessor, D. Sancho I. No local da sua construção acredita-se ter existido uma fortificação da época romana.  

No reinado de D. Dinis, por volta de 1280, o castelo foi ampliado com uma cerca a envolver a vila e passou também a ter seis torres. No contexto da Guerra da Restauração, depois de 1640, foi também melhorada a sua capacidade defensiva.


A actividade militar deste castelo esteve relacionada com a crise de 1383, chegando a ser tomado pelas tropas castelhanas, que acabaram por ser derrotadas nas diversas batalhas travadas nessa época, uma delas bem perto de Pinhel, em Trancoso. Também durante as invasões francesas, o castelo foi ocupado pelas tropas napoleónicas.

Classificado como Monumento Nacional, tem vindo, a partir de 1999, a ser alvo de obras de revitalização, sob orientação do IPPAR. Salientam-se neste castelo as torres erguidas na praça de armas, uma delas a Torre de Menagem, e também a existência de três cisternas."


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Casa do Vento que Soa - Sortelha - Sabugal


Casa do Vento que Soa - Sortelha

       "Está situada no perímetro interior das muralhas. De planta em U, possui dois pisos e a escadaria exterior com balcão alpendrado com duas colunas de capitel simples.
      A sua construção é enquadrada entre os séculos XVI-XVIII. Contudo, trata-se apenas de uma hipótese, dado que não existem elementos que permitam uma datação segura."


Fonte: Espírito  de Aventura, Aventura nas Aldeias Históricas, Roteiro de Sortelha




Lenda da Aldeia Histórica de Sortelha

O Vento que soa



Conta-se que estando á beira da morte, um pai chamou seu filho e disse-lhe que mesmo não tendo riquezas para lhe deixar tinha um conselho para lhe dar, que valia ouro.

“Se tiveres um segredo, que não queiras ver espalhado pelo vento que soa, não o contes a ninguém. Nem a tua mulher, nem ao teu maior amigo. Guarda-o, porque um verdadeiro segredo guarda-se no coração…”


O rapaz aceitou o conselho, mas ficou muito intrigado, porque não entendia totalmente as palavras de seu pai.

Tanto pensou e matutou que resolveu fazer uma experiencia. Lançaria um falso segredo a ver o que acontecia.

Andava ele a imaginar qual seria, quando se soube que um grande senhor das terras de Sortelha andando à caça, tinha perdido o seu falcão preferido. Oferecia uma bela recompensa a quem o entregasse no castelo, mas ai de quem lhe fizesse mal… Ora aí estava a historia que o rapaz precisava.

Como por acaso, tinha encontrado o falcão perdido que, cansado e com fome, se deixara facilmente apanhar, seria fácil testar as palavras de seu pai.

Convidou o seu maior amigo para jantar e disse-lhe que tinha morto, por acidente, o falcão tão procurado. O amigo ficou muito aflito e mais aflito ficou quando o anfitrião lhe disse que, para não arriscar a ser descoberto o tinha cozinhado e era precisamente o falcão que estavam comendo nesse jantar. O pobre homem ficou tão aflito que nem sabia o que fazer. Se por um lado não podia trair a confiança do seu amigo, por outro lado aquele segredo pesava-lhe na alma. Então, em desespero, dirigiu-se à beira rio e falou em voz baixa para as canas: “Foi o Zé do Feijão que matou o falcão”. Mais aliviado e certo de estar sozinho, lá foi a sua vida. No entanto e pouco depois um pastor que por ali andava cortou uma dessas canas para fazer uma flauta. Para seu espanto quando soprou, em vez de música só se ouviu: “Foi o Zé do Feijão que matou o falcão”. E claro, o segredo espalhou-se rapidamente. Logo foram a casa do Zé do Feijão que, facilmente provou estar inocente, ao apresentar o falcão vivo e de boa saúde. E ainda recebeu a recompensa prometida pelo dono. Mas finalmente tinha percebido o quanto o seu pai era sábio e como eram valiosas as suas palavras…


Fonte: Casas do Cruzeiro


sábado, 23 de junho de 2012

Lenda do Beijo Eterno - Castelo de Sortelha


Castelo de Sortelha - Beijo Eterno

"Para descobrir a fortaleza medieval de Sortelha há que atravessar a Porta Principal. À entrada, do lado esquerdo, está o «Beijo Eterno», um conjunto de dois barrocos que quase se tocam corporizando a lenda do Beijo Eterno que deu origem ao Casteleiro.


     Conta-se que no início da Reconquista, quando cristãos e mouros avançavam e recuavam ao sabor da sorte das armas, Sortelha sofreu um rigoroso cerco pelas tropas sarracenas, que a todo o custo queriam recuperar aquele ponto estratégico.
No castelo vivia o alcaide, homem forte e valoroso, a sua mulher, que todos diziam possuir poderes mágicos, e uma filha, donzela casta e formosa.

O cerco terá durado tanto tempo que a pobre rapariga farta de não poder sair do castelo, se entretinha a espreitar do alto das muralhas o movimento no acampamento das tropas inimigas. Cedo, começou a reparar no garboso príncipe árabe que comandava aquele exército. Ao princípio ria-se da sua roupa esquisita e dos seus costumes tão diferentes dos seus. Mas, com o tempo, começou a sentir que o coração batia mais depressa quando o via passar montado no seu belo cavalo. O tempo foi passando até que um dia, durante um reconhecimento à volta da muralha, o príncipe a viu com os seus cabelos soltos a brilhar ao sol. Ficou sem fôlego. Nunca tinha visto uma beleza assim. Por sinais e gestos foram-se comunicando, às escondidas de todos. Com a conivência de alguns soldados do castelo e a coberto da noite o príncipe começou a deixar-lhe pequenos presentes na muralha onde se costumavam ver e que ela ao outro dia retribuía. Aos poucos o amor foi crescendo e cada vez era maior a vontade de ambos, de se encontrarem.

A mãe da menina, entretanto andava muito desconfiada de que qualquer coisa estranha se passava. Primeiro, a filha antes tão triste e tão calada, tinha agora o rosto iluminado por uma luz nova e por diversas vezes a surpreendera a cantar sem prestar atenção ao pano que bordava no bastidor. Ainda pensou que era apenas a chegada da Primavera e o desabrochar da juventude. Mas quando viu nos seus olhos o horror estampado, ao falar-lhe do gosto que ela e o pai tinham no seu casamento com o filho do alcaide do Sabugal, percebeu que o caso era bem mais sério.

Começou a vigiá-la. Mas a menina era tão cuidadosa que nos dias seguintes a mãe não conseguiu tirar a história a limpo. Entretanto, o príncipe tinha subornado os três soldados que estavam a par do romance para deixarem sair a menina, quando ficassem os três de sentinela às portas do castelo. O tão esperado dia chegou. E quando depois da ceia a menina se quis recolher mais cedo a pretexto de uma dor de cabeça, a mão teve a certeza de que qualquer coisa ia acontecer nessa noite. Sem querer alertar o marido, deitou-se ao lado dele como sempre mas não adormeceu.

De madrugada teve a sensação de que ouvira um ruído. De mansinho levantou-se, vestiu-se e foi ao quarto da filha. Estava vazio. Desesperada correu para o alto da torre. Lá de cima tudo parecia calmo. No entanto depois de habituar os olhos à escuridão viu que qualquer coisa mexia mesmo por baixo do sítio onde estava. De repente as nuvens descobriram a lua e a mãe estupefacta viu a menina nos braços do príncipe árabe, beijando-o. Num terrível acesso de raiva, a mãe desencadeou um tal poder que de imediato os dois amantes desapareceram. Quando o sol se levantou, descobriu-se com espanto que no local onde eles se tinham encontrado, estavam agora dois barrocos como que se beijando eternamente.

Os mouros quando se aperceberam de que o seu chefe desaparecera misteriosamente durante a noite, levantaram o cerco e foram-se embora. Quanto ao pobre alcaide, além de ter descoberto que estava casado com uma feiticeira, coisa que na época não era muito bem vista, ficara sem a filha que tanto amava. Resolveu então pedir ao rei que o substituísse no cargo e refugiou-se com a mulher numas terras que tinha no vale, dando origem ao lugar do Casteleiro."

Fonte: Margarida Magalhães Ramalho, Aldeias Históricas, Sortelha

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Convento de Sacaparte - Alfaiates - Sabugal


         
          

Ruínas do Convento de Sacaparte
Alfaiates - Sabugal


          " As estórias de fantasmas, de bruxedos e de lobisomens contadas ao serão apresentam-nos também algo de absolutamente novo nos terrores nocturnos de crianças e até de adultos.
          É possível que algumas destas estórias nascessem como consequência dos terrores infundidos pelos frades do Convento de Sacaparte com o Santo Ofício da Inquisição.
          Ainda há poucas décadas não tinha por ali sido inventada a electricidade e, nas longas noites de Inverno, à volta da lareira, continuavam a contar-se os horrores praticados pelos frades ao abrigo daquela instituição.
          Não admira, pois que toda a gente tivesse medo de passar nas proximidades daquele Convento, em ruínas desde há séculos, principalmente durante a noite. (...)
          (...) Dizem as estórias contadas por toda a gente que, nas redondezas da Sacaparte, aparecem, a quem por ali passe de noite, sozinho, padres sem costas.
          É verdade que os contrabadistas ali passavam quase todas as noites com as cargas às costas, mas não passavam sozinhos. passavam ali, às dezenas, todas as noites, em fila indiana.
           Não se sabia, em concreto, de alguém a quem já alguma vez tivesse aparecido um padre nessas condições, mas também é verdade que nunca se ouviu dizer que alguém tivesse tido a coragem de passar por locais tão sagrados depois de a luz do dia se ter ido embora.
          Estes contos de terror primam, no mínimo, pela originalidade. (...)
           (...) O valor histórico é enorme pois que em mil duzentos e sessenta e oito já era um dos maiores centros de peregrinação do nosso País. conforme conta no livro "Alfaiates na Órbita da Sacaparte", do Pe. francisco Vaz(...)
          (...) Embora tratando-se de um lugar santo e de muitas peregrinações não deixa de ser um lugar temido e de que se contam muitas estórias, curiosas, umas, e apavorantes, outras. (...)
          (...) Uma estória muito curiosa está relacionada com o estado de destruição em que se encontra o Convento.
         Com efeito, depois dos frades terem abandonado o Convento muita gente passou a ir buscar pedra de alvenaria já aparelhada, para construir as suas casas na freguesia e ficou de pé aquela parte que ainda hoje existe porque o Ti João Nobre também fez o mesmo que faziam todos os outros, só que ele saíu-se mal.
         Enquanto andava a transportar aquela pedra e a construir a casa, uma noite, durante o sono, ouviu uma voz que lhe dizia: " Não toques mais na pedra daquela casa porque aquela casa é sagrada."
Mas ele não fez caso e continuou a ir lá buscar pedra. Segunda vez ele ouviu a mesma voz a avisá-lo: " Não toques mais na pedra daquela casa porque aquela casa é sagrada."
        Mesmo assim ele não quis saber e continuou a ir lá buscar pedra. Só que, da terceira vez, a voz que ouviu, de noite, foi bem mais dura, pois disse-lhe:
                                                    " Tu, a casa construirás,
                                                        Mas nela não viverás".
         Mas nem este aviso pronunciado com uma dureza tãogrande foi suficiente para o intimidar.
as consequências não se fizeram esperar: quando estava com os outros homens a subir a uma pedra para a parte superior da parede, já no primeiro andar, com a ajuda de um sarilho, único equipamento então existente para o efeito, o sarilho soltou-se, ele deixou-se apanhar por um dos estadulhos e ficou desfeito.
        A partir dessa altura ninguém mais teve coragem para dali tirar pedra e o Convento passou a ser considerado tão santo como a própria Capela."


Porfírio Ramos, Memórias de Alfaiates e Outras Terras Raianas, Edição do Autor, 2009



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sacaparte - Alfaiates


Sacaparte (Nª Srª da Póvoa) - Alfaiates - Sabugal

            “Segundo algumas lendas, Sacaparte é local de culto desde a época visigótica. Certo é que, no século XIV, havia no local um templo. O actual data do século XVIII, sendo obra da Congregação de S. Camilo de Lellis, ou Ordem dos Clérigos Agonizantes.
            A fachada principal está voltada a ocidente, para o grande recinto ladeado pelos alpendres de feira e albergaria e onde podemos ver um cruzeiro, com uma cruz e a imagem de Cristo esculpida. No alçado norte, existe uma interessante janela – oratório adossada à nave.
            No interior, podemos encontrar retábulos em talha dourada e, na parede por trás do altar, frescos recentemente descobertos e restaurados.”

Fonte: Informação da placa local


           Contam-se estórias curiosas sobre este local como “a estória de um poço sem fundo e que o povo canta assim:
Nossa Senhora da Póvoa
Olhai o que diz o Mundo
Que na vossa santa casa
Há um poço sem fundo”

Porfírio Ramos, Memórias de Alfaiates e Outras Terras Raianas
Edição do Autor, 2009

          "LENDA DE SACAPARTE"
Havia nos primeiros annos do seculo XVI, na Castella Velha, um fidalgo poderosissimo, chamado D. Alvaro Nunes de Lára, senhor da cidade de Lára, na Castella Velha.
    Era rei de Castella, D. Sancho, o Bravo, (filho de D. Affonso, o Sabio) que não podia tolerar a soberba d’este fidalgo arrogante. Principiou com elle as hostilidades, sitiando-lhe o pae (D. João Nunes de Lara) na cidade de Albarrazim.
    D. Luiz, ajudado com tropas do rei de Navarra e de algumas do de França, rompeu a guerra contra D. Sancho; e, como Portugal era o valhacouto de todos os descontentes leonezes, castelhanos e mais hespanhoes, localisou-se esta guerra no territorio do Riba-Côa, onde os castelhanos praticaram grandes roubos e destruições, sem que o nosso rei D. Diniz podesse então atalhar tantas desgraças.
    Com os Laras vinha tambem o infante portuguez D. Affonso, filho segundo do nosso rei D. Affonso III, trazendo em sua companhia, Fernão Soares e Sentil Soares, nobres fidalgos, filhos de Soeiro Gonçalves de Barrundo, e irmãos de Payo Soares, mórdomo mór do mesmo infante.
    Os dous partidos vieram ás mãos, dando-se uma furiosa batalha junto á villa de Alfaiates, na qual o partido dos Laras foi vencido, ficando muitos mortos no campo, sendo d’este numero Fernão Soares e seu irmão Sentil Soares.
    Até aqui a historia.
    Segundo a lenda – vendo-se os povos da villa (então praça de guerra) de Alfaiates em risco de serem tomados por um ou outro dos partidos contendores, recorreram ao patrocinio de Nossa Senhora Sáca-os á parte, como quem diz – tira-os para longe de nós; e os castelhanos não atacaram a villa.
    D’aqui se originou dar-se á Senhora o titulo de Sacaparte.
    (É uma etymologia, comô qualquer outra.)
Fonte : PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de   Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.Tomo VIII

terça-feira, 19 de junho de 2012

Casa Beirã - Riba-Côa - Sabugal


 Vilar Maior - Sabugal


           A casa típica das Beiras era composta por dois pisos. Um rés-do-chão composto pela "corte", lugar onde se guardava o gado, caso não houvesse servia para armazenamento de produtos agrícolas, denominado "loja". O andar superior ou “sobrado” acessível por uma escada em pedra, composto, normalmente, por duas divisões, a cozinha com lareira e o quarto.




 Malcata - Sabugal

Em alguns edifícios de dimensões maiores poderia existir uma sala. Sobre o forro do quarto e da sala verifica-se um sobrado acessível junto à cozinha por uma escada fixa ou móvel que servia de arrecadação. No exterior, ao cimo da escada em pedra, na frontaria da casa, existe um "patim" ou balcão que serve para secar o milho, malhar o feijão e amadurecer a fruta.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Serra da Malcata - Sabugal




Serra da Malcata - Vista da Serra das Mesas (Fóios - Sabugal)


"Vaga, no Azul Amplo Solta"

Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.





Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"





domingo, 17 de junho de 2012

Igreja Matriz e Torre anexa, Vilar Maior

Igreja Matriz de Vilar Maior


            "As origens da igreja matriz de Vilar Maior, dedicada a São Pedro, remontam ao século XIII, época em que se pensa ter sido edificado o templo primitivo e a torre, que ainda hoje se conserva.
Esta, de planta quadrada, desenvolve-se em três registos, o último dos quais ameado. Note-se, no entanto, que o último resulta de um acrescento efectuado em 1958. As sineiras abrem-se no registo intermédio, e é rematada por um coruchéu, sobre o terraço superior.(...)


Torre anexa 



            (...) Quanto à igreja, foi certamente reconstruída no decorrer do século XVII. Desenvolve-se em nave única, que se articula com a capela-mor, esta com a torre anexa a Sul. A fachada, delimitada por pilastras encimadas por pináculos, termina em empena e é marcada pela abertura do portal. De verga recta, apresenta pilastras caneladas encimadas por capiteis coríntios que suportam o entablamento, sobre o qual assenta o nicho envolto por elementos vegetalistas. Por cima, um óculo oval vazado."
            No interior, a nave articula-se com a capela-mor através do arco triunfal em cantaria aparente, com dois altares colaterais. Merece especial referência o retábulo-mor, de talha dourada e polícroma, oriundo da igreja de São Francisco da Guarda. A abóbada da capela-mor encontra-se pintada com motivos vegetalistas. Por sua vez, a pia baptismal veio da igreja de Nossa Senhora do Castelo. "

Fonte: IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico)





sexta-feira, 15 de junho de 2012

Casa Velha - Valhelhas - Guarda


Casa Velha - Valhelhas


Casa Velha
Deixem a casa velha! Que os pedreiros
não lhe tirem as rugas nem as gelhas.
Que não limpem de urtigas os canteiros,
que lhe deixem ficar as velhas telhas.
Deixem a casa velha! Que a não sujem
com óleos e com tintas os pintores.
Que lhe deixem as nódoas de ferrugem,
os velhos musgos, as cansadas flores.
Que não fiquem debaixo do cimento
mais de cem anos de alegria e dor.
Não lhe pintem a chuva, o sol, o vento,
que a cor do tempo é assim: vaga e incolor.
Que tudo fique assim, parado e absorto,
no tempo sem limites, sempre igual.
Ah, não, por Deus! Como se faz a um morto,
não a sepultem sob terra e cal!
Não fechem as janelas mal fechadas,
ouçam da brisa o tímido lamento,
deixem que a vida e a morte, de mãos dadas,
vão com seu passo reflectido e lento.
Não endireitem as paredes tortas
nem desatem, da aranha, os finos laços.
Abram ao vento as desmanchadas portas,
ouçam do tempo os invisíveis passos.
Deixem que durma, quieta, ao sol do Outono,
velada pela flor, o vento, a asa.
Será talvez o derradeiro sono…
Que importa? Morra em paz a velha casa.


Fernanda de Castro, in «Asa no Espaço», 1955


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Serra das Mesas - Nascente do Rio Côa



Serra das Mesas
                           Formação geológica no Concelho de Sabugal na fronteira de Portugal com Espanha.
                           Atinge os 1256 metros de altitude. É o local da nascente do Rio Côa.


Nascente do Rio Côa


                           O Rio Côa nasce na Serra das Mesas, no limite dos Fóios (Sabugal - Guarda).
                           Percorre 130 Km até desaguar, na margem esquerda do Rio Douro em Vila Nova de Foz Côa (Guarda) correndo de Sul para Norte.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fernando Pessoa (Lx - 13.06.1888 - Lx - 30.11.1935)



Fernando Pessoa


            Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935). A razão do seu nome tem a ver com Santo António.


Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa






Santo António (Lx, 15.08.1195 - Pádua,13.06.1231)









terça-feira, 12 de junho de 2012

Igreja Matriz - Vila do Touro - Sabugal





Igreja Matriz de Vila do Touro



           Dedicada a Santa Maria, construída no século XVI, sobre uma outra do século XIII, mais concretamente de 1220, que aparece referenciada num arrolamento paroquial de 1320-1321.

domingo, 10 de junho de 2012

10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

 Luís Vaz de Camões
(Largo Camões - Lisboa)

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é  um tributo à data do falecimento de Luís Vaz de Camões em 1580,  para relembrar os feitos passados do povo lusitano e os  portugueses que vivem fora de Portugal.


Portugal
 
Já foste rico e forte e soberano,
Já deste leis a mundos e nações,
Heróico Portugal, que o gram Camões
Cantou, como o não pôde um ser humano!

Zombando do furor do mar insano,
Os teus nautas, em fracos galeões,
Descobriram longínquas regiões,
Perdidas na amplidão do vasto oceano.

Hoje vejo-te triste e abatido,
E quem sabe se choras, ou então,
Relembras com saudade o tempo ido?

Mas a queda fatal não temas, não.
Porque o teu povo, outrora tão temido,
Ainda tem ardor no coração.


Saúl Dias, in "Dispersos (Primeiros Poemas)"
Fonte: http://www.citador.pt


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Outeiro de S. Gens, Vila do Touro - Sabugal


Outeiro e Capela de S. Gens - Vila do Touro - Sabugal

                                  VII

" Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura ... 



Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver."

                                                                                         Alberto Caeiro (Heterónimo de Fernando Pessoa, Guardador de Rebanho,  Obra Poética e em Prosa, 1986, Lello & Irmão - Editores, Porto




sexta-feira, 1 de junho de 2012

01 de Junho - Dia da Criança


Crianças à janela 
( Foto retirada Daqui)


"No comboio descendente,
 Vinha tudo à gargalhada
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada - 
No comboio descendente 
De Queluz à Cruz Quebrada ...

No Comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela -
No comboio descendente
 Da Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo outros com sono,
E outros nem sim nem não -
No comboio descendente 
De Palmela a Portimão..."


Fernando Pessoa, Obra Poética e em Prosa, 1986, Lello & Irmão - Editores, Porto