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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sacaparte - Alfaiates


Sacaparte (Nª Srª da Póvoa) - Alfaiates - Sabugal

            “Segundo algumas lendas, Sacaparte é local de culto desde a época visigótica. Certo é que, no século XIV, havia no local um templo. O actual data do século XVIII, sendo obra da Congregação de S. Camilo de Lellis, ou Ordem dos Clérigos Agonizantes.
            A fachada principal está voltada a ocidente, para o grande recinto ladeado pelos alpendres de feira e albergaria e onde podemos ver um cruzeiro, com uma cruz e a imagem de Cristo esculpida. No alçado norte, existe uma interessante janela – oratório adossada à nave.
            No interior, podemos encontrar retábulos em talha dourada e, na parede por trás do altar, frescos recentemente descobertos e restaurados.”

Fonte: Informação da placa local


           Contam-se estórias curiosas sobre este local como “a estória de um poço sem fundo e que o povo canta assim:
Nossa Senhora da Póvoa
Olhai o que diz o Mundo
Que na vossa santa casa
Há um poço sem fundo”

Porfírio Ramos, Memórias de Alfaiates e Outras Terras Raianas
Edição do Autor, 2009

          "LENDA DE SACAPARTE"
Havia nos primeiros annos do seculo XVI, na Castella Velha, um fidalgo poderosissimo, chamado D. Alvaro Nunes de Lára, senhor da cidade de Lára, na Castella Velha.
    Era rei de Castella, D. Sancho, o Bravo, (filho de D. Affonso, o Sabio) que não podia tolerar a soberba d’este fidalgo arrogante. Principiou com elle as hostilidades, sitiando-lhe o pae (D. João Nunes de Lara) na cidade de Albarrazim.
    D. Luiz, ajudado com tropas do rei de Navarra e de algumas do de França, rompeu a guerra contra D. Sancho; e, como Portugal era o valhacouto de todos os descontentes leonezes, castelhanos e mais hespanhoes, localisou-se esta guerra no territorio do Riba-Côa, onde os castelhanos praticaram grandes roubos e destruições, sem que o nosso rei D. Diniz podesse então atalhar tantas desgraças.
    Com os Laras vinha tambem o infante portuguez D. Affonso, filho segundo do nosso rei D. Affonso III, trazendo em sua companhia, Fernão Soares e Sentil Soares, nobres fidalgos, filhos de Soeiro Gonçalves de Barrundo, e irmãos de Payo Soares, mórdomo mór do mesmo infante.
    Os dous partidos vieram ás mãos, dando-se uma furiosa batalha junto á villa de Alfaiates, na qual o partido dos Laras foi vencido, ficando muitos mortos no campo, sendo d’este numero Fernão Soares e seu irmão Sentil Soares.
    Até aqui a historia.
    Segundo a lenda – vendo-se os povos da villa (então praça de guerra) de Alfaiates em risco de serem tomados por um ou outro dos partidos contendores, recorreram ao patrocinio de Nossa Senhora Sáca-os á parte, como quem diz – tira-os para longe de nós; e os castelhanos não atacaram a villa.
    D’aqui se originou dar-se á Senhora o titulo de Sacaparte.
    (É uma etymologia, comô qualquer outra.)
Fonte : PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de   Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.Tomo VIII

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