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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Outono - Serra da Estrela - Manteigas





"Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta               [...]
  
  5-11-1932"

Fernando Pessoa, O Peso de Haver o Mundo, Obras de Fernando Pessoa, 
Vol I, Lello & Irmão, Porto, 1986,

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Capela da Senhora da Graça - Ovar








Capela de Nossa Senhora da Graça



Segundo uma lenda a primitiva capela foi edificada na sequência do aparecimento no local de uma imagem de Nossa Senhora que, por sua vez, garantiu à ”Villa de Ovar” a graça de se livrar da peste que assolava Portugal.

A primitiva construção, que já existia em 1623, foi substituída entre 1666 a 1668 e reedificada de 1894 a 1899, na sequência da elevação do lastro da rua e consequente sujeição da capela às cheias do rio, tendo sido salvaguardado parte da cantaria e talha do templo seiscentista. Destaca-se no interior a imagem de Nossa Senhora da Graça (século XV), em pedra de Ançã, retábulo-mor maneirista dedicado ao culto Mariano e retábulo lateral, em estilo Nacional, da Ordem Franciscana Secular.
Fonte: www.cm-ovar.pt


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Costa Nova - Ílhavo - Aveiro


Costa Nova - Ílhavo - Aveiro

          "Filho de Aveiro, educado na Costa Nova, quase peixe da ria, eu não preciso que mandem ao meu encontro caleches e barcaças."

Eça de Queiroz, Carta a Oliveira Martins, 1884
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Janeiro de Baixo


Casas em xisto - Janeiro de Baixo

    ANIVERSÁRIO
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
(...)
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(...)
Hoje já não faço anos.
(...)
 Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!... 

Álvaro de Campos,(Heterónimo de Fernando Pessoa) 15-10-1929

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Pampilhosa da Serra


Pampilhosa da Serra

"Da mais alta janela da minha casa"

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade...

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.

Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão  já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo...


Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), O Guardador de Rebanhos,  

1914

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Praia do Furadouro


Praia do Furadouro


"Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam a alva 'spuma
No moreno das praias.

Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o 'spaço
Do ar entre as nuvens 'scassas.

Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco ao meu senso
De se esvair o tempo.

Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada. "

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Convento de Arouca - Av. 25 de Abril



Convento de Arouca

"O Mosteiro de Arouca foi fundado no século X, em honra de São Pedro, considerado um dos mais ricos do país, pertenceu à Ordem de Cister, tem estilo classicista romano, com revestimentos de talha dourada.

A vida deste mosteiro foi marcada por D. Mafalda, filha de Sancho I, que em 1220, entra para o convento, aumentando o já influente papel do mosteiro na vida politica e administrativa da região, através de grandes doações feitas por esta rainha, que veio a ser beatificada e cujo túmulo ali se encontra.

Grandes obras são executadas no século XVI, incidindo sobretudo nos adornos dos altares e no século XVII, é ampliado o complexo monástico, que no final deste século albergava cerca de 100 freiras e 300 criadas.

No século XVIII, deflagra um incêndio, que destrói uma grande parte do convento, o que obriga a obras que se estendem por mais de 20 anos, mas em 1935, novo incêndio dei origem a novas obras de reconstrução.

O convento foi extinto em 1886, todos os seus bens passaram para a Fazenda Pública, mas o seu valioso espólio mantém-se, no Museu de Arte Sacra, ali instalado.

Tem vindo a ser alvo de obras de recuperação e restauro da responsabilidade do IPPAR. De entre o importante património do mosteiro destacam-se, esculturas de Braga Jacinto Vieira, o retábulo-mor da autoria do entalhador bracarense Luís Vieira da Cruz, ou o cadeiral, constituído por 104 assentos, ricamente entalhados."

Fonte: http://www.guiadacidade.pt