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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Igreja Matriz de Vagos


                                                Capela dedicada ao Apóstolo S. Tiago Maior

 A Igreja Matriz de Vagos foi doada aos frades de São Marcos, em 1452, como prova uma lápide que diz: "El-Rei D. Affonso V deu esta egreja ao Mosteiro de S. Marcos, ao qual está unida in perpetuo no espiritual e temporal. Em 1452"

sábado, 31 de agosto de 2013

Estação CP - Vilar Formoso


Tempo

           "Não sei o que é o tempo. Não sei qual a verdadeira medida que ele tem, se tem alguma. A do relógio sei que é falsa: divide o tempo espacialmente, por fora. A das emoções sei também que é falsa: divide, não o tempo, mas a sensação dele. A dos sonhos é errada; neles roçamos o tempo, uma vez prolongadamente, outra vez depressa, e o que vivemos é apressado ou lento conforme qualquer coisa do decorrer cuja natureza ignoro.
           Julgo, às vezes, que tudo é falso, e que o tempo não é mais do que uma moldura para enquadrar o que lhe é estranho. Na recordação, que tenho da minha vida passada, os tempos estão dispostos em níveis e planos absurdos, sendo eu mais jovem em certo episódio dos quinze anos solenes que em outro da infância sentada entre brinquedos.
         Emaranha-se-me a consciência se penso nestas coisas. Pressinto um erro em tudo isto; não sei, porém, de que lado está. É como se assistisse a uma sorte de prestidigitação, onde, por ser tal, me soubesse enganado, porém não concebesse qual a técnica, ou a mecânica, do engano.
           Chegam-me, então, pensamentos absurdos, que não consigo todavia repelir como absurdos de todo. Penso se um homem que medita devagar dentro de um carro que segue depressa está indo depressa ou devagar. Penso se serão iguais as velocidades idênticas com que caem no mar o suicida e o que se desequilibrou na esplanada. Penso se são realmente sincrónicos os movimentos, que ocupam o mesmo tempo, em os quais fumo um cigarro, escrevo este trecho e penso obscuramente.
          De duas rodas no mesmo eixo podemos pensar que há sempre uma que estará mais adiante, ainda que seja fracções de milímetro. Um microscópio exageraria este deslocamento até o tornar quase inacreditável, impossível se não fosse real. E por que não há o microscópio de ter razão contra a má vista? São considerações inúteis? Bem o sei. São ilusões da consideração? Concedo. Que coisa, porém, é esta que nos mede sem medida e nos mata sem ser? E é nestes momentos, em que nem sei se o tempo existe, que o sinto como uma pessoa, e tenho vontade de dormir."

Bernardo Soares (Fernando Pessoa), in "Livro do Desassossego"



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Não Tenhais Medo - Fátima


Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

"Repito-o hoje, em Fátima. O rosário, o terço, é e permanecerá sempre uma oração de reconhecimento, de amor e de confiante súplica: a oração da Mãe da Igreja."

João Paulo II
in AIDO, Paulo, João Paulo II, O Peregrino de Fátima, PRIMEBOOKS, 6ª Edição

sábado, 10 de agosto de 2013

Ilha Dourada - Moçambique


Ilha Dourada


A fortaleza mergulha no mar
os cansados flancos
e sonha com impossíveis
naves moiras
Tudo mais são ruas prisioneiras
e casas velhas a mirar o tédio
As gentes calam na voz
uma vontade antiga de lágrimas
e um riquexó de sono
desce a Travessa da "Amizade"
Em pleno dia claro
vejo-te adormecer na distância,
Ilha de Moçambique,
e faço-te estes versos
de sal e esquecimento



(in «a Ilha de Próspero», 1972)


Escadas - Marvão


As Minhas Ansiedades

As minhas ansiedades caem
Por uma escada abaixo.
Os meus desejos balouçam-se
Em meio de um jardim vertical.

Na Múmia a posição é absolutamente exacta.

Música longínqua,
Música excessivamente longínqua,
Para que a Vida passe
E colher esqueça aos gestos.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ponte Romana - Casegas

Ponte Romana - Casegas


7

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.



Mário de Sá- Carneiro, in “Indícios de Oiro”

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Castelo de Vide




Castelo de Vide - Paisagem



Caminhos

Para quê, caminhos do mundo,
Me atraís? — Se eu sei bem já
Que voltarei donde parto,
Por qualquer lado que vá.

Pra quê? — Se a Terra é redonda;
E, sempre, tem de cumprir-se
A sina daquela onda
Que parece vai sumir-se,

Mas que volta, bem mais débil,
Ao meio do lago, onde
A mãe, gota d'água flébil,
Há muito tempo se esconde.

Pra quê? — Se a folha viçosa
Na Primavera, feliz,
Amanhã será, gostosa,
Alimento da raiz.

Pra quê, caminhos do mundo?
Pra quê, andanças sem Fim?
Se todo o sonho profundo
Deste Mundo e do Outro-Mundo,
Não 'stá neles, mas em mim.


Francisco Bugalho, in "Paisagem"








sábado, 3 de agosto de 2013

Castelo de Marvão






      Sentinela da Raia

Embora possa ter havido ocupações anteriores deste espaço, a fundação de Marvão está associada ao último quartel do século IX e à figura de Ibn Maruán, que durante a sua revolta  contra o Emirado de Córdova se refugiou nestas terras. Aproveitando as características excepcionais do sítio, terá mandado construir este castelo, que se foi transformando e adaptando ao longo de mais de 1000 anos.                          


Foi uma praça fundamental durante a Reconquista e depois de ter sido tomada aos Muçulmanos por D. Afonso Henriques e integrada no novo reino de Portugal - na segunda metade do século XII - Marvão não perdeu a sua importância. Pelo contrário, evidenciou-se como bastião essencial para o controlo e povoamento da linha de fronteira, recebendo de D. Sancho II, em 1226, o seu primeiro foral.


Finda a Reconquista cristã, a defesa continuou a fazer parte e a pautar o quotidiano da vila, sobretudo devido à constante ameaça castelhana. Para melhor garantir a protecção do país, D. Dinis mandou dotar o burgo de uma outra cerca urbana no início do século XIV e reforçar o seu castelo.


Por diversas vezes esta praça se destacou na defesa das fronteiras de Portugal, importa lembrar o papel decisivo que teve, entre outros conflitos, na Guerra da Restauração (1640-1668), na Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1715), na Guerra Fantástica ( 1762-1763), na Guerra da Laranjas (1801), nas Guerras Peninsulares/Invasões Francesas (1807-1811), na Guerra Civil (1832-1834) ou após a Revolta de Maria da Fonte e da Patuleia (1846-1847).

Fonte: Folheto Informativo - Castelo de Marvão; Texto de Jorge Alberto


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Igreja Nossa Senhora da Nazaré - Elvas


Igreja Nossa Senhora da Nazaré 

       Pequena igreja localizada junto à principal entrada do centro histórico da cidade de Elvas no Viaduto Municipal. É uma construção de 1592, na altura chamada de ermida do Santo Calvário. Pela altura das invasões francesas a igreja foi demolida juntamente com a de São Sebastião para não servir de guarida a estes. Foi reconstruída em 1817.

Fonte: www.cm-elvas.pt


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Convento Nª Srª da Estrela - Marvão


Convento Nª Srª da Estrela - Marvão

       Na origem do convento da Estrela entrou, como em muitos outros que em Portugal se estabeleceram, a lenda piedosa de um milagre, de um caso sobrenatural, lenda que o povo de Marvão e o das terras circunvizinhas tem carinhosamente guardado através da sua tradição de séculos, pois já vem, segundo se diz, de tempos anteriores ao princípio da nacionalidade. 
    Com, efeito, a lenda da miraculosa aparição de Nossa Senhora da Estrela, no sítio onde depois se ergueu o templo actual, parece vir desde as recuadas eras do domínio dos Visigodos na Península, a dar fé à narração que, com mais ou menos variantes, é feita nas várias Crónicas Seráficas que compulsamos. Assim conta-se que depois da decisiva batalha de Guadalete em que foi derrotado Rodrigo, último rei dos Visigodos, derrota que abriu a Península à invasão dos serracenos ou messulmanos, os moradores de Marvão, não querendo sujeitar-se ao domínio dos novos invasores, haviam preferido seguir a sorte dos seus companheiros vencidos refugiando-se com eles nas escondidas e àsperas brenhas das serranias das Astúrias. E para que as suas imagens sagradas não fossem ultrajadas e destruídas pelos infiéis tomaram o expediente de esconder as que não poderam levar consigo, como aconteceu à imagem da Senhora da Estrela, oculta, para assim escapar ao sacrilégio, cerca de uns 300 anos, até ao momento de ser reconquistado aos mouros o elevado morro onde se ergue hoje a vila de Marvão. 
    Pouco depois deste sucesso conta-se que em certa noite uma estrela de extraordinário brilho e grandeza atraira os olhares de um pastor que guardava o seu gado nas cercanias. Deslumbrado por tão estranha aparição afoutou-se o pastor a subir até ao alto do monte onde depois se edificou o convento, sempre guiado pela luz intensa dessa estrela, descobrindo então a imagem em um recanto das penedias que ali se acumulam.
    Esta imagem esteve exposta à veneração e culto dos fiéis durante muitos anos no seu primitivo esconderijo, em uma rústica e improvisada capela formada com as próprias brenhas, que foi mais tarde beneficiada e revestida de azulejos. 
    Segundo a narração de uma das mais velhas crónicas da Ordem esta gruta, primitivo santuário onde se venerou com ferverosa crença a Santa, era constituída por um pequeno e reduzido espaço que, a custo, mal podia conter três ou quatro pessoas. Ali se conservou, porém, a pequenina imagem da Senhora da Estrela até que em 1724, sendo guardião do convento Fr. José de Santa Bárbara, foi mudada para a sua actual capela, não sem grande oposição e descontentamento dos devotos receosos de que a mudança fizesse perder a eficácia das maravilhosas virtudes que pela tradição lhe eram atribuídas.

 COELHO, Possidónio Mateus Laranjo, Terras de Odiana Coimbra, sem editora, 1924 , p.339-340
Fonte: http://www.lendarium.org


    Principal instituição religiosa de Marvão, o Convento foi fundado no século XV, a partir de uma petição feita pelos habitantes da vila e pelo Infante D. Henrique (então senhor da localidade) ao Papa, que obteve resposta afirmativa de Nicolau V a 7 de Julho de 1448. Um dos argumentos invocados para a construção de uma casa religiosa neste local foi o da lenda de Nossa Senhora da Estrela, tradição devocional de grande impacto na região e que está, ela própria, associada às origens lendárias de Marvão. Conta-se que, após a invasão muçulmana de 711, os cristãos da zona recusaram pactuar com o novo poder e, antes de fugirem para as Astúrias, onde ajudaram a montar a resistência, esconderam uma imagem de Nossa Senhora, por eles venerada. Muitos séculos depois, um pastor, guiado por uma estrela, encontrou a imagem, numa espécie de gruta, iniciando-se, aí, a grande devoção à santa (GIL, vol. II, 1988, p.124).
Pela sua importância, pensamos que, em algum momento da História, pretendeu-se atribuir maior antiguidade ao convento, razão do aparecimento da data de 1258 como ano de fundação (COELHO, 1982, p.16). Poder-se-á tratar, evidentemente, de um erro motivado por deficiente transmissão de dados, mas o certo é que nenhum documento ou prova material sugere uma instituição anterior a 1448, sendo, por isso, de duvidar de qualquer notícia relativa a 1258.
A construção ter-se-á iniciado imediatamente após a bula papal e supomos que as obras decorreram em bom ritmo ao longo desse século XV, podendo mesmo entrar nos inícios do século XVI, como o cruzeiro manuelino que se implanta no adro sugere. Da estrutura gótica restam ainda importantes elementos, sendo o portal principal o mais importante, até pelo impacto visual que proporciona. Apesar da elegância dos seus elementos (DIAS, 1994, p.168), é uma obra relativamente (propositadamente?) arcaica, característica do que se vem chamando gótico paroquial, mas cuja origem se encontra nos conventos mendicantes do século XIII. Na Estrela de Marvão, repetiu-se, dois séculos depois, um portal de arco apontado, de quatro arquivoltas e inscrito num avançado gablete. Para além desta notável fidelidade a esquemas góticos de Duzentos ou Trezentos, os capitéis não possuem qualquer decoração, o que indicia uma deliberada austeridade aplicada aos elementos artísticos, provável determinação da comunidade franciscana a quem foi confiada a instituição. Outros vestígios quatrocentistas encontram-se no claustro (onde subsistem alguns arcos geminados sob a camada seiscentista reformadora) e na capela lateral Norte, quadrangular e ainda com uma pequena porta que dava acesso a uma desaparecida dependência.
Nos séculos seguintes, foram muitas as alterações verificadas no conjunto. Logo no tempo manuelino, deu-se forma a uma outra capela, anexa à capela-mor, de dois tramos e com forte abobadamento em cadeia, que corresponderá a uma primeira campanha de beneficiação do lendário local onde aparecera a imagem. Em 1689, foi a vez do corpo da igreja ser integralmente refeito, com novo abobadamento e a supressão dos eventuais vestígios da obra primitiva neste sector.
Mas a mais importante fase moderna teve lugar nos finais do século XVIII, altura em que a diocese de Portalegre foi regida por D. Jerónimo Carvalhal e Silva. Este devoto da Senhora de Marvão empreendeu a construção da sacristia em 1772 (por trás da capela-mor e com acesso para a capela da Estrela), reformou parcialmente a capela da santa (cobrindo as suas paredes com azulejos azuis e brancos e mandando construir o retábulo de mármore e a imagem de jaspe que o coroa) e decidiu sepultar-se em campa rasa diante do altar, no solo da capela manuelina.
Extinta a congregação em 1834, o convento foi ocupado pela Misericórdia local, que aí instalou o seu Hospital. Nos últimos anos, foi a Santa Casa que promoveu obras de restauro e de ampliação, responsáveis pela actual configuração de todo o conjunto e pelo pequeno museu no interior da igreja.