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sábado, 31 de agosto de 2013

Estação CP - Vilar Formoso


Tempo

           "Não sei o que é o tempo. Não sei qual a verdadeira medida que ele tem, se tem alguma. A do relógio sei que é falsa: divide o tempo espacialmente, por fora. A das emoções sei também que é falsa: divide, não o tempo, mas a sensação dele. A dos sonhos é errada; neles roçamos o tempo, uma vez prolongadamente, outra vez depressa, e o que vivemos é apressado ou lento conforme qualquer coisa do decorrer cuja natureza ignoro.
           Julgo, às vezes, que tudo é falso, e que o tempo não é mais do que uma moldura para enquadrar o que lhe é estranho. Na recordação, que tenho da minha vida passada, os tempos estão dispostos em níveis e planos absurdos, sendo eu mais jovem em certo episódio dos quinze anos solenes que em outro da infância sentada entre brinquedos.
         Emaranha-se-me a consciência se penso nestas coisas. Pressinto um erro em tudo isto; não sei, porém, de que lado está. É como se assistisse a uma sorte de prestidigitação, onde, por ser tal, me soubesse enganado, porém não concebesse qual a técnica, ou a mecânica, do engano.
           Chegam-me, então, pensamentos absurdos, que não consigo todavia repelir como absurdos de todo. Penso se um homem que medita devagar dentro de um carro que segue depressa está indo depressa ou devagar. Penso se serão iguais as velocidades idênticas com que caem no mar o suicida e o que se desequilibrou na esplanada. Penso se são realmente sincrónicos os movimentos, que ocupam o mesmo tempo, em os quais fumo um cigarro, escrevo este trecho e penso obscuramente.
          De duas rodas no mesmo eixo podemos pensar que há sempre uma que estará mais adiante, ainda que seja fracções de milímetro. Um microscópio exageraria este deslocamento até o tornar quase inacreditável, impossível se não fosse real. E por que não há o microscópio de ter razão contra a má vista? São considerações inúteis? Bem o sei. São ilusões da consideração? Concedo. Que coisa, porém, é esta que nos mede sem medida e nos mata sem ser? E é nestes momentos, em que nem sei se o tempo existe, que o sinto como uma pessoa, e tenho vontade de dormir."

Bernardo Soares (Fernando Pessoa), in "Livro do Desassossego"



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Não Tenhais Medo - Fátima


Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

"Repito-o hoje, em Fátima. O rosário, o terço, é e permanecerá sempre uma oração de reconhecimento, de amor e de confiante súplica: a oração da Mãe da Igreja."

João Paulo II
in AIDO, Paulo, João Paulo II, O Peregrino de Fátima, PRIMEBOOKS, 6ª Edição

sábado, 10 de agosto de 2013

Ilha Dourada - Moçambique


Ilha Dourada


A fortaleza mergulha no mar
os cansados flancos
e sonha com impossíveis
naves moiras
Tudo mais são ruas prisioneiras
e casas velhas a mirar o tédio
As gentes calam na voz
uma vontade antiga de lágrimas
e um riquexó de sono
desce a Travessa da "Amizade"
Em pleno dia claro
vejo-te adormecer na distância,
Ilha de Moçambique,
e faço-te estes versos
de sal e esquecimento



(in «a Ilha de Próspero», 1972)


Escadas - Marvão


As Minhas Ansiedades

As minhas ansiedades caem
Por uma escada abaixo.
Os meus desejos balouçam-se
Em meio de um jardim vertical.

Na Múmia a posição é absolutamente exacta.

Música longínqua,
Música excessivamente longínqua,
Para que a Vida passe
E colher esqueça aos gestos.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ponte Romana - Casegas

Ponte Romana - Casegas


7

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.



Mário de Sá- Carneiro, in “Indícios de Oiro”

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Castelo de Vide




Castelo de Vide - Paisagem



Caminhos

Para quê, caminhos do mundo,
Me atraís? — Se eu sei bem já
Que voltarei donde parto,
Por qualquer lado que vá.

Pra quê? — Se a Terra é redonda;
E, sempre, tem de cumprir-se
A sina daquela onda
Que parece vai sumir-se,

Mas que volta, bem mais débil,
Ao meio do lago, onde
A mãe, gota d'água flébil,
Há muito tempo se esconde.

Pra quê? — Se a folha viçosa
Na Primavera, feliz,
Amanhã será, gostosa,
Alimento da raiz.

Pra quê, caminhos do mundo?
Pra quê, andanças sem Fim?
Se todo o sonho profundo
Deste Mundo e do Outro-Mundo,
Não 'stá neles, mas em mim.


Francisco Bugalho, in "Paisagem"








sábado, 3 de agosto de 2013

Castelo de Marvão






      Sentinela da Raia

Embora possa ter havido ocupações anteriores deste espaço, a fundação de Marvão está associada ao último quartel do século IX e à figura de Ibn Maruán, que durante a sua revolta  contra o Emirado de Córdova se refugiou nestas terras. Aproveitando as características excepcionais do sítio, terá mandado construir este castelo, que se foi transformando e adaptando ao longo de mais de 1000 anos.                          


Foi uma praça fundamental durante a Reconquista e depois de ter sido tomada aos Muçulmanos por D. Afonso Henriques e integrada no novo reino de Portugal - na segunda metade do século XII - Marvão não perdeu a sua importância. Pelo contrário, evidenciou-se como bastião essencial para o controlo e povoamento da linha de fronteira, recebendo de D. Sancho II, em 1226, o seu primeiro foral.


Finda a Reconquista cristã, a defesa continuou a fazer parte e a pautar o quotidiano da vila, sobretudo devido à constante ameaça castelhana. Para melhor garantir a protecção do país, D. Dinis mandou dotar o burgo de uma outra cerca urbana no início do século XIV e reforçar o seu castelo.


Por diversas vezes esta praça se destacou na defesa das fronteiras de Portugal, importa lembrar o papel decisivo que teve, entre outros conflitos, na Guerra da Restauração (1640-1668), na Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1715), na Guerra Fantástica ( 1762-1763), na Guerra da Laranjas (1801), nas Guerras Peninsulares/Invasões Francesas (1807-1811), na Guerra Civil (1832-1834) ou após a Revolta de Maria da Fonte e da Patuleia (1846-1847).

Fonte: Folheto Informativo - Castelo de Marvão; Texto de Jorge Alberto


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Igreja Nossa Senhora da Nazaré - Elvas


Igreja Nossa Senhora da Nazaré 

       Pequena igreja localizada junto à principal entrada do centro histórico da cidade de Elvas no Viaduto Municipal. É uma construção de 1592, na altura chamada de ermida do Santo Calvário. Pela altura das invasões francesas a igreja foi demolida juntamente com a de São Sebastião para não servir de guarida a estes. Foi reconstruída em 1817.

Fonte: www.cm-elvas.pt