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sábado, 8 de novembro de 2014

Lagoa do Viriato - Penhas da Saúde - Serra da Estrela


Lagoa do Viriato

“A Estrela, essa, guarda secretamente os ímpetos, reflectindo-se ensimesmada e discreta no espelho das suas lagoas. Somente a quem a passeia, a quem a namora duma paixão presente e esforçada, abre o coração e os tesouros. Então, numa generosidade milionária, mostra tudo. (...)  O tempo demorou-se na solidão e no silêncio das suas lombas, e pôde construir à vontade. Abrir ruas, esculpir estátuas, rasgar gargantas, e até deixar desenhado o próprio perfil na curva de raio infinito de cada recôncavo.
Perder-se por ela a cabo num dia de neve ou de sol, quando as fragas são fofas ou há flores entre o cervum, é das coisas inolvidáveis que podem acontecer a alguém. Para lá da certeza dum refúgio amplo e seguro, onde não chega a poeira da pequenez nem o ar corrompido da podridão, o peregrino esbarra a cada momento com a figuração do homem que desejaria ser, simples, livre e feliz. "
TORGA,  Miguel, Portugal

domingo, 2 de novembro de 2014

Serra da Estrela



As nuvens são sombrias

As nuvens são sombrias
Mas, nos lados do sul,
Um bocado do céu
É tristemente azul.
Assim, no pensamento,
Sem haver solução,
Há um bocado que lembra
Que existe o coração.
E esse bocado é que é
A verdade que está
A ser beleza eterna
Para além do que há.
5-4-1931, Fernando Pessoa

sábado, 11 de outubro de 2014

Ponte sobre o Rio Vez - Ponte da Vila


Ponte sobre o Rio Vez - Arcos de Valdevez

Situada na belíssima vila de Arcos de Valdevez, sobre o cristalino rio Vez, este monumento é um dos símbolos da região, parte integrante de uma paisagem bucólica de grande beleza. 

Segundo reza a tradição, foi nas margens deste rio, num local próximo da Ponte que se encontraram as tropas de Afonso VII de Leão e de D. Afonso Henriques, em 1140, dando origem à consagração do reino Português, dizendo-se que no combate se deu uma carnificina tal que horas passadas do combate ainda o Rio Vez levava, até ao Rio Lima, sangue em vez de água. 

Pensa-se que por volta de 1258 já existiria aqui uma ponte que em muito terá contribuído para o desenvolvimento da vila durante a Idade Média. 
A anterior construção terá sido substituída em 1876 por esta, mais ampla com quatro arcos de volta redonda e talhamares. 

Fonte: http://www.guiadacidade.pt

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Rio Vez - Arcos de Valdevez


Rio Vez - Arcos de Valdevez

"Destino"

Começa um rio numa gota de água

O sonho é que avoluma o corpo da nascente

Fonte: tão delicada, e hás-de ser torrente

A saltar fragas e a rasgar o monte.

TORGA, Miguel, Diário VII

domingo, 28 de setembro de 2014

Lambretta - Abrantes


Poema da Auto-estrada

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.

Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.


GEDEÃO, António, "Máquina de Fogo"



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Rio Cávado - Fão



Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.
E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.
Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por coisa esquecida.

9-8-1931
 Fernando Pessoa

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Santuário Bom Jesus de Fão


Santuário Bom Jesus de Fão




Na segunda-feira de pascoela o Bom Jesus de Fão, na margem esquerda do Cávado, é uma romaria com tradição ancestral. A devoção à Paixão de Cristo conheceu enormes desenvolvimentos após o Concilio de Trento, conhecendo-se na diocese de Braga inúmeras igrejas e templos dedicados ao Senhor do Bom Jesus. A devoção ao Senhor de Fão teve início no século XVIII, após a descoberta de uma imagem de Cristo crucificado, no século anterior, junto ao rio, à qual faltava um braço.



 tradição oral indica que, após este achado, uma mulher desta freguesia terá acendido o lume com lenha que entretanto tinha recolhido da praia e verificara que um dos paus não era devorado pelas chamas do fogo. Uma vez retirado do lume, verificou que este pau tinha a forma de um braço associando então este membro à imagem de Cristo entretanto encontrada. Alguns documentos indicam a existência de uma ermida neste preciso local no século XVII, no entanto a construção do templo actual teve lugar entre 1710 e 1724.



Implantado num espaçoso adro rodeado de um muro guarnecido por pilastras encimadas por 32 esferas graníticas, este templo enquadra-se numa ampla alameda composta ainda por um coreto, um cruzeiro e um fontanário. Com planta em forma de cruz latina, detém uma fachada principal composta por um pórtico Renascentista ao qual se sobrepõe um janelão em granito. A torre campanária adoçada à capela-mor por trás do templo, foi construída por volta de 1730. A Imagem do Bom Jesus – Senhor dos Passos – encontra-se no camarim da capela-mor, erguendo-se no transepto o altar do Senhor da Agonia – ou dos Aflitos – e de Nossa Senhora das Angústias. (...)





quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Janela - Abrantes


Janela -  Abrantes

    " O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém mo perguntar, eu sei, se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. Porém, atrevo-me a declarar, sem receio de contestação, que, se nada sobrevivesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente. "

Santo Agostinho, Confissões, Livro XI

terça-feira, 29 de julho de 2014

Igreja Matriz de Pampilhosa da Serra


Igreja Matriz de Pampilhosa da Serra
(Nossa Senhora do Pranto)

Hino da Pampilhosa da Serra 


Vila da Pampilhosa
Pampilhosa da Serra
Distrito de Coimbra
Meu Amor quem me lá dera
(bis)

I

Querida Pampilhosa
Terra onde eu nasci
Cantinho de Portugal
És por natureza
Dotada de grande encanto
Tens por padroeira
Nossa Senhora do Pranto
(bis)

(Refrão):
Pampilhosa da Serra
Metida entre os pinhais
Tens dotes de beleza
Entre montes e vales
Saudades que eu tenho
Dos tempos que lá vão
Em que havia alegria
Igualdade e união
(bis)

II

Nossa Senhora do Pranto
De beleza original
És a nossa padroeira
Livrai-nos de todo o mal
Nossa Senhora do Pranto
Rainha de Portugal
Cobri-nos com o vosso manto
E salvai Portugal.

Fonte:http://www.cm-pampilhosadaserra.pt/pt/go/hino

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Capela de Santa Luzia - Pampilhosa da Serra


Capela de Santa Luzia

            Capela situada nos penedos entre Cabril e Vidual foi mandada construir por um particular, Francisco Pedro Simões, natural de Malhada do Rei, em cumprimento de uma promessa, em 1930.
                  

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Casa em ruínas - Penalva do Castelo


Casa em ruínas


Apesar das ruínas e da morte, 
Onde sempre acabou cada ilusão, 
A força dos meus sonhos é tão forte, 
Que de tudo renasce a exaltação 
E nunca as minhas mãos ficam vazias. 


ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. "Poesia"
In:Obra Poética

domingo, 18 de maio de 2014

Santo João Paulo II ( 18.05.1920 - 02.04.2005)


Estátua de João Paulo II
Fátima (27.04.2014)

ORAÇÃO PEDINDO GRAÇAS POR INTERCESSÃO DO SERVO DE DEUS O PAPA JOÃO PAULO II

Santíssima Trindade

nós vos agradecemos por terdes dado à Igreja

o papa João Paulo II

e por terdes deito resplandecer nele

a ternura da vossa Paternidade,

a glória da cruz de Cristo e

o esplendor do Espírito de amor.

Confiando totalmente na vossa infinita misericórdia

e na materna intercessão de Maria,

ele foi para nós uma imagem viva de Jesus Bom Pastor

indicando-nos a santidade

como a mais alta medida da vida cristã ordinária

caminho para alcançar a comunhão eterna convosco.

Segunda a vossa vontade, concedei-vos, por sua intercessão,

a graça que imploramos,

na esperança de que ele seja inscrito, quanto antes,

no número dos vossos santos.

Ámem.


(Com aprovação eclesiástica) 



Santo João Paulo II  (27.04.2014 - Fátima)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Maio, Mês de Maria e das Mães - Fátima


Santuário de Fátima (27.04.2014)

”Nos perigos, nas angústias, nas incertezas pensa em Maria, invoca Maria. Que ela nunca abandone os teus lábios, nem o teu coração; e para obteres a ajuda da sua oração, nunca esqueças o exemplo da sua vida”.


São Bernardo de Claraval


"Sou todo Vosso, Mãe e Senhora!"
São João Paulo II

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Dia Internacional do Livro


63. 
Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num 
lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos 
supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro 
cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um 
espectáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão 
cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite. 

Estas páginas, em que registo com uma clareza que dura para elas, agora 
mesmo as reli e me interrogo. Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando 
sinto? Que coisa morro quando sou? 

Como alguém que, de muito alto, tente distinguir as vidas do vale, eu assim 
mesmo me contemplo de um cimo, e sou, com tudo, uma paisagem indistinta e 
confusa. 

É nestas horas de um abismo na alma que o mais pequeno pormenor me 
oprime como uma carta de adeus. Sinto-me constantemente numa véspera de 
despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de conclusões. De 
bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte. Mas há um grande 
sono comigo, e desloca-se de umas sensações para outras como uma sucessão de 
nuvens, das que deixam de diversas cores de sol e verde a relva meio ensombrada 
dos campos prolongados. 

Sou como alguém que procura ao acaso, não sabendo onde foi oculto o 
objecto que lhe não disseram o que é. Jogamos às escondidas com ninguém. 
Há, algures, um subterfúgio transcendente, uma divindade fluida e só ouvida. 
Releio, sim, estas páginas que representam horas pobres, pequenos sossegos 
ou ilusões, grandes esperanças desviadas para a paisagem, mágoas como quartos 
onde se não entra, certas vozes, um grande cansaço, o evangelho por escrever. 
Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de 
que há outros com alma igual. A minha vaidade são algumas páginas, uns trechos, 
certas dúvidas... 

Releio? Menti! Não ouso reler. Não posso reler. De que me serve reler? O que 
está ali é outro. Já não compreendo nada...

Pessoa, Fernando, Livro do Desassossego
Composto por Bernardo Soares - Ajudante de Guarda - livros  na cidade de Lisboa