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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Dia Internacional do Livro


63. 
Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num 
lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos 
supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro 
cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um 
espectáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão 
cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite. 

Estas páginas, em que registo com uma clareza que dura para elas, agora 
mesmo as reli e me interrogo. Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando 
sinto? Que coisa morro quando sou? 

Como alguém que, de muito alto, tente distinguir as vidas do vale, eu assim 
mesmo me contemplo de um cimo, e sou, com tudo, uma paisagem indistinta e 
confusa. 

É nestas horas de um abismo na alma que o mais pequeno pormenor me 
oprime como uma carta de adeus. Sinto-me constantemente numa véspera de 
despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de conclusões. De 
bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte. Mas há um grande 
sono comigo, e desloca-se de umas sensações para outras como uma sucessão de 
nuvens, das que deixam de diversas cores de sol e verde a relva meio ensombrada 
dos campos prolongados. 

Sou como alguém que procura ao acaso, não sabendo onde foi oculto o 
objecto que lhe não disseram o que é. Jogamos às escondidas com ninguém. 
Há, algures, um subterfúgio transcendente, uma divindade fluida e só ouvida. 
Releio, sim, estas páginas que representam horas pobres, pequenos sossegos 
ou ilusões, grandes esperanças desviadas para a paisagem, mágoas como quartos 
onde se não entra, certas vozes, um grande cansaço, o evangelho por escrever. 
Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de 
que há outros com alma igual. A minha vaidade são algumas páginas, uns trechos, 
certas dúvidas... 

Releio? Menti! Não ouso reler. Não posso reler. De que me serve reler? O que 
está ali é outro. Já não compreendo nada...

Pessoa, Fernando, Livro do Desassossego
Composto por Bernardo Soares - Ajudante de Guarda - livros  na cidade de Lisboa

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Estação CP - Vilar Formoso


Estação CP - Vilar Formoso

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

-Fernando Pessoa

Mosteiro S. João de Tarouca


Mosteiro S. João de Tarouca

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Barra - Aveiro






Recado aos Amigos Distantes 

 Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

Cecília Meireles,  'Poemas (1951)


Mosteiro da Serra do Pilar


      "Inserido na área classificada em Dezembro de 1996 como Património Mundial da UNESCO, o Mosteiro da Serra do Pilar, ex-libris de Gaia, preserva a interessante igreja e o claustro, de planta circular, exemplar único em Portugal.

      A Igreja, caracterizada pela sua forma circular, é uma réplica da Igreja de Santa Maria Redonda, em Roma, e é coberta por uma abóbada hemisférica. Foi construída em 1538 pelos mestres Diogo de Castilho e João de Ruão para os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Levou 72 anos a concluir, devido à falta de verba dos cónegos e à situação política da altura - o reino de Portugal tinha sido tomado pela vizinha Espanha, tendo mesmo este local adoptado o nome de uma santa espanhola, a Nossa Senhora do Pilar.

      Em 1832, durante o Cerco do Porto, foi reconhecido o valor militar do local e o convento foi transformado em fortaleza improvisada. No início do século XX, tornou-se Quartel das Tropas, estando actualmente sob a alçada do Regimento de Artilharia da Serra do Pilar.

      No interior, são de salientar alguns retábulos de talha dourada, com colunas salomónicas, e as esculturas de madeira policromada, setecentistas, figurando Santa Eulália, Santa Apolónia e Santo Agostinho.  
      Defronte da Igreja, existe um magnífico miradouro, de onde se pode observar a cidade do Porto e o rio Douro."


Comboio Turístico - Elvas


Igreja Matriz de Santa Maria de Satão


Igreja Matriz de Santa Maria de Satão