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sábado, 10 de setembro de 2016

Praia dos Alteirinhos


Qualquer caminho leva a toda a parte

Qualquer caminho leva a toda a parte.
Qualquer ponto é o centro do infinito.
E por isso, qualquer que seja a arte
De ir ou ficar, do nosso corpo ou espírito,
Tudo é estático e morto. Só a ilusão
Tem passado e futuro, e nela erramos.
Não há estrada senão na sensação
É só através de nós que caminhamos.
Tenhamos pra nós mesmos a verdade
De aceitar a ilusão como real
Sem dar crédito à sua realidade.
E, eternos viajantes, sem ideal
Salvo nunca parar, dentro de nós,
Consigamos a viagem sempre nada
Outros eternamente, e sempre sós;
Nossa própria viagem é viajante e estrada.
Que importa que a verdade da nossa alma
Seja ainda mentira, e nada seja
A sensação, e essa certeza calma
De nada haver, em nós ou fora, seja
Inutilmente a nossa consciência?
Faça-se a absurda viagem sem razão.
Porque a única verdade é a consciência
E a consciência é ainda uma ilusão.
E se há nisto um segredo e uma verdade
Os deuses ou destinos que a demonstrem
Do outro lado da realidade,
Ou nunca a mostrem, se nada há que mostrem.
O caminho é de âmbito maior
Que a aparência visível do que está fora,
Excede de todos nós o exterior
Não para como as coisas, nem tem hora.
Ciência? Consciência? Pó que a estrada deixa
E é a própria estrada, sem a estrada ser.
É absurda a oração, absurda a queixa.
Resignar(-se) é tão falso como ter.
Coexistir? Com quem, se estamos sós?
Quem sabe? Sabe [...] que são?
Quantos cabemos dentro em nós?
Ir é ser. Não parar é ter razão.

                                                                                                                                              Fernando Pessoa -11-10-1919

domingo, 4 de setembro de 2016

Alentejo


A luz que te ilumina,
 Terra da cor dos olhos de quem olha! 
A paz que se adivinha
 Na tua solidão 
Que nenhuma mesquinha 
Condição 
Pode compreender e povoar! 
O mistério da tua imensidão 
Onde o tempo caminha 
Sem chegar!... 

Miguel Torga 


sábado, 13 de agosto de 2016

Ermida Nossa Senhora do Castelo, Aljustrel - Beja


Ermida Nossa Senhora do Castelo


Edificada no local onde se erguia anteriormente o antigo Castelo de Aljustrel, e considerada um verdadeiro ex-libris da povoação, a Ermida de Santa Maria do Castelo vem referida na visitação da Ordem de Santiago de 1482, sendo a sua denominação alterada, a partir de 1510, para Nossa Senhora do Castelo. É sabido que o castelo foi edificado na época da ocupação árabe: ainda existe, na Ermida, uma pedra da sua construção original. Diz o povo que, ao encostar o ouvido a essa pedra, se ouve o som do mar, e que, se alguma vez ela for retirada da igreja, o oceano entrará pela terra dentro e alagará a vila... Desde sempre, esta Ermida esteve ligada à fé das populações do concelho, a ela se associando vários milagres e lendas.

Fonte: https://www.guiadacidade.pt